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Posts de Junho 28th, 2008

Reavaliando nossas vidas a partir de Malaquias 1

Publicado por elouniversitario em Junho 28, 2008

“O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o meu temor? Diz o Senhor dos Exércitos a vós sacerdotes, que desprezais o meu nome. E vós dizeis: em que temos desprezado o teu nome? …
… porque quando ofereceis animal cego para o sacrifício, isso não é mal? E quando ofereceis o coxo ou enfermo, isso não é mal? Ora apresenta-o ao teu governador; porventura terá ele agrado em ti? Ou aceitará ele a tua pessoa? Diz o Senhor dos Exércitos. Agora, pois, eu suplico, peça a Deus, que ele seja misericordioso conosco; isto veio das vossas mãos; aceitará ele a vossa pessoa? Diz o Senhor dos Exércitos. Quem há também entre vós que feche as portas por nada, e não acenda debalde o fogo do meu altar? Eu não tenho prazer em vós, diz o Senhor dos Exércitos, nem aceitarei oferta da vossa mão …
… E dizeis ainda: Eis aqui, que canseira! E o lançaste ao desprezo, diz o Senhor dos Exércitos vós ofereceis o que foi roubado, e o coxo e o enfermo; assim trazeis a oferta. Aceitaria eu de vossa mão? Diz o Senhor dos Exércitos.”

Malaquias 1.6,8-10,13

No mês passado, reli Malaquias. Então, essa semana, gostaria de compartilhar um pouco sobre o que lembrei ao reler esse texto.

O livro inicia-se com uma dura sentença “PESO da palavra do Senhor contra Israel”. Ao chegarmos ao versículo 6 do primeiro capítulo, entendemos o porquê dela ter sido usada. Para compreendermos um pouco melhor o contexto, precisamos voltar centenas de anos na história e relembrar a aliança firmada entre o povo de Israel e Deus, onde eles deveriam trazer o que tinham de melhor para ser entregue como oferta. Assim, alguns animais eram recebidos pelos sacerdotes e oferecidos como sacrifício a Deus.
A única exigência que havia sido feita era a de que eles trouxessem o que tinham de melhor, animais sem manchas, sadios, perfeitos. No entanto, o povo de Israel fez uma grande loucura. Não sei como começou, nem tampouco quem foi o primeiro, o que sabemos é que, pouco a pouco, eles começaram a trazer qualquer animal como oferta. Os doentes, os coxos e até roubados estavam sendo trazidos ao Templo. Para piorar a situação, os sacerdotes estavam aceitando essa prática e oferecendo-os como sacrifício.

Fico imaginando até onde essa situação teria se estendido se o Senhor não tivesse aberto os olhos dos sacerdotes para o que eles estavam fazendo. Esse texto nos fala muito sobre a Sua graça. Quando entendemos que não foi uma oferta única e isolada, mas, que essa prática já estava generalizada no meio do povo, reconhecemos que Deus esperou pacientemente por uma mudança de conduta até Ele decidir falar. Talvez, tenha esperado por um sacerdote que fechasse as portas do Templo e não permitisse que aqueles animais fossem oferecidos… talvez tenha esperado por um profeta que sacudisse o povo em praça pública, alertando sobre a sua loucura… talvez tenha esperado por uma pessoa consciente que reconhecesse que Ele não era mercedor do que estava sendo oferecido. Sua graça alcançava o povo e permitia que o fogo do altar fosse aceso para que aqueles animais fossem sacrificados.

Embora chamando-O de pai e senhor, as atitudes de Israel, especialmente dos sacerdotes, demonstravam o quanto eles não O honravam nesses papéis. Em uma comparação justa, Deus pergunta se eles teriam coragem de oferecer os mesmos animais ao governador e, conhecendo a resposta, conclui que para Ele é “isso veio das vossas mãos”. “Peçam, pois, por misericórdia”. “Quem há entre vós que feche as portas?”, seria melhor que alguém fechasse as portas do Templo do que aqueles animais serem sacrificados, denunciando para todos os povos que Israel estava deliberadamente desprezando seu Senhor.

Podemos perceber que algumas coisas não mudaram em nossos dias. Chamamos a Deus de pai e de senhor e, embora o tempo de sacrifícios tenha passado, continuamos demonstrando o quando o honramos nesses papéis através de nossas atitudes. Infelizmente, muitos de nós ainda estão cometendo a mesma loucura do povo de Israel.

Não me refiro às “boas obras”, nem associo essas práticas a salvação. Porque “Somos salvos pela graça, mediante a fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus, NÃO POR OBRAS, para que ninguém se glorie” Ef 2.8-9. Mas, ao que temos “trazido como oferta ao Seu altar”, demonstrando a todos, pelo que temos a oferecer, o quanto Ele é digno.
Sou grato a Deus por sermos alvos de sua graça. Por saber que Ele nos ama, apesar de tudo, e que espera pacientemente por uma mudança em nossa conduta. Quem sabe, alguém gritará no meio da multidão e alertará o Seu povo sobre o caminho por onde eles têm andado! Sou grato também por saber que, ainda que isso não aconteça, Ele mesmo nos mostrará o quanto O temos desprezado como nosso pai e nosso senhor através de nossas atitudes diárias. 

 

E, nesse ponto, quantas vezes nos deixamos levar pelo mesmo mal que engodou o povo de Israel e transformamos nosso relacionamento com Deus em uma sequência de rituais e práticas meramente religiosas? Quantas vezes repetimos, como eles, “que canseira”… “que enfado ler a Bíblia”, “que mesmice essa vida cristã”, “que desânimo para orar”? Quantas vezes cantamos louvores com nossos lábios, tendo nosso coração a quilômetros de distância de Deus? Quantas vezes decidimos ir a um culto no domingo por medo de perder a benção da semana ou ser castigado severamente? Pior, quantas vezes decidimos ir para que os irmãos não pensem que estamos “desviados”? Quantas vezes abrimos a Palavra de Deus sem a mínima vontade de entender o que ela está nos revelando? Quantas orações repetidas, clamores decorados, frases de impacto aprendidas já recitamos para Deus, na tentativa de mostrar as pessoas que somos eloquêntes e fervorosos? Quantas vezes já não nos desgostamos e ameaçamos abandonar a Deus após uma oração não atendida, como se fôssemos crianças mimadas que não ganharam o presente pedido no aniversário? Quantas vezes fingimos que estamos alegres com as vitórias dos que estão ao nosso redor, mas, com o coração cheio de inveja, remoemos uma despeita? Quantas vezes chamamos a Deus de Senhor e o tratamos como um servo que está a nossa total disposição? Quantas vezes o chamamos de Pai, mas o tratamos como um filho rebelde que merece a nossa frieza para aprender a nos respeitar? Quantas vezes Deus deve ter desejado que alguém “fechasse as portas do Templo” para que não entrássemos em Sua presença trazendo o pior que temos para oferecê-lO?

Concluindo, cremos que podemos nos identificar com 3 dos personagens contidos nessa história:

1 – O povo de Israel – que tráz diariamente aquilo que lhes sobra, o que seria jogado fora, o que não tem muito valor pessoal, o que é desprezado e oferece, normalmente, diante do altar de Deus. Mostrando a todos o quanto o Seu Deus não é digno de receber o seu melhor. 

 

2 – Com os sacerdotes – que mesmo sabendo o que é certo, vêem a loucura que o povo está cometendo e decidem calar-se para que possam permanecer bem com a comunidade, buscando, dessa forma, agradar mais aos homens do que ao próprio Deus a quem servem.

3 – Com Malaquias – que, deixando-se ser usado por Deus, confronta o povo de Israel e os sacerdotes com essa mensagem dura, alertando-os sobre a tristeza que estão gerando no coração do Senhor ao ofertarem o seu pior como demonstração do seu amor por Ele.

Qual dessas descrições representa melhor a sua vida hoje? Pode ser um tempo de mudança!

 

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