Estava fazendo algumas pesquisas na internet sobre o que os Universitários pensam a respeito de Deus, cristianismo, fé e igrejas cristãs em nossos dias e deparei-me com um inusitado blog de um estudante (a essa altura, creio que deva estar formado) da Universidade Federal da Bahia.
Ele relata no blog:
“Perguntinha:-Onde está a maior quantidade de seres estranhos por metro quadrado?
Respostinha:-Na Universidade.
Explico:
Agorinha mesmo passaram por aqui, duas figuras raras. Uma (que queria ser) loira e uma morena. Queriam dar uma “palavrinha” (aspas em negrito) comigo. Sabe aquele papo de Testemunha de Jeová que chega em sua casa nos momentos mais inoportunos? Pois é.
Elas queriam conversar a respeito de um tal “Movimento Estudantil Alfa e Ômega”. Graças a Jah Rastafari, eu já estava vacinado e já sabia do que se tratava porque senão, devido à minha curiosidade, eu teria que ouvir horas de evangelização pra saber o que era aquilo.
Em resumo… Criada nos EUA (longos tentáculos imperialistas), ela pretende congregar, no seio do M.E., aqueles jovens (no caso das duas figuras, elas já foram jovens num passado remoto) que professam a fé cristã. Tudo bem. É válido. Mas eu não tenho saco.
A primeira coisa que passou pela minha cabeça quando ela perguntou se poderia falar sobre o tal do “M.E. Alfa e Ômega” foi desancar a falar sobre o materalismo, desconstruindo qualquer tipo de idealismo. Mas deixei pra lá. Eu discuto ciência. Fé não.
As figuras (provavelmente cariocas, pelo sotaque) viram que eu não estava muito a fim (apesar da máscara de bom moço educado) e se foram.
Agora, só falta imaginar na próxima eleição ou manifestação estudantil, a militância do Alfa e Ômega fazendo panfletagem com a bíblia embaixo do braço e lançando chapa em culto em praça pública.
Como dizem, o movimento estudantil é plural. Pluralíssimo.”
Esse trecho do blog data de 16 de janeiro de 2004… ocasião em que estivemos em Salvador, pela primeira vez, realizando um Projeto Missionário de 4 semanas na UFBA.
Com a curiosidade aflorada por essa leitura, continuei vasculhando seus escritos (ler, para mim, nunca foi um grande desafio) e encontrei algo que ele postou 13 dias após esse encontro com as jovens do Movimento Alfa e Ômega:
“Atravessando a rua, passo a mão pelos cabelos molhados. Lá vem um carro. E se eu fosse atropelado? Seria melhor, porque a dor física superaria a dor que sinto dentro de minha alma (?) agora. Prefiro a costela fraturada ao coração em frangalhos… Sozinho na multidão, desconhecia o propósito, o objetivo, o desiderato, a razão, a causa…”
Fiquei pensando sobre como esse rapaz é um belo exemplo da nossa realidade universitária… cercados pela ciência, eles recusam-se a debater sobre fé. Cercados pela dor, eles assumem que algo dentro deles é mais frágil do que pensam e até questionam-se sobre a existência de uma alma.
Talvez uma leitura isolada da postagem do dia 16 torne-se um espinho desmotivador para nós que, diariamente, teimamos em abordar pessoas em nossas Faculdades para falar-lhes de algo que, aparentemente, não lhes interessa nem um pouco. Entretanto, analisando cuidadosamente o segundo texto, vemos como esses universitários são por dentro, iguais a qualquer outro ser humano: cheios de dúvidas, de medos, de incertezas, especialmente sobre sua vida espiritual.
Diariamente e de forma contínua, eles ouvem sobre a inexistência de um Deus e sobre a ineficácia da fé cristã. Suas convicções são colocadas em “xeque” dentro do campo intelectual, onde qualquer manifestação de espiritualiade é observada com desprezo. Esses 4 milhões de jovens, espalhados em milhares de campi ao redor do nosso país, também precisam ouvir várias vezes, e de fontes confiáveis, acerca do amor e do perdão de Deus para que, então, possam experimentá-los em suas vidas.
Não sei como está a vida daquele rapaz hoje, mas sei que em um dia da sua história, Deus enviou duas cariocas, que O amam e que dedicaram suas férias para serví-lO em uma outra cidade, para falar-lhe a respeito da salvação em Jesus Cristo. Provavelmente, por não conhecer o suficiente sobre aquelas jovens (nem sobre o Movimento Alfa e Ômega) para dar-lhes algum crédito, ele recusou-se a ouví-las, mesmo tendo um emaranhado de perguntas sem respostas a respetio de sua vida espiritual arraigadas ao seu coração.
Como somos seres humanos, temos direito a escolhas… e, por motivos pessoais, ele escolheu não ouvir. Entretanto, entendo que o impacto do encontro com essas duas cristãs, dispostas a testemunhar sobre sua fé em pleno campus Universitário, foi marcante para sua vida. Tanto que mereceu uma citação especial em seu blog. Entendo também que esse encontro levou-o a pensar em Deus, nem que só por um breve momento.
Precisamos URGENTEMENTE de Movimentos Espirituais em todas as partes, para que cada universitário POSSA TER a oportunidade de conhecer BEM alguém que verdadeiramente segue a Cristo.
Por: Cleiton Fiuza