No final do ano passado, eu estava indo para o campus, encontrar com um dos meus discípulos, quando senti meu coração encher-se de louvor a Deus. Comecei a lembrar do Congresso Estudantil que acontecera em junho, das mudanças nítidas nas vidas dos estudantes e do compromisso que muitos deles fizeram com Deus. Lembrei também da forma como Deus levantara todo o sustento necessário para que eu participasse do Congresso Campus Mission 2007 (http://www.cm2007.net/), em julho desse mesmo ano, na Coréia, e senti uma “impressão espiritual” muito forte de que coisas novas estão para acontecer.
Na verdade, sempre que penso sobre esse evento na Coréia, sinto uma grande alegria. Ainda não tenho idéia de como explicar o que foi ver quase 20.000 pessoas representendo cerca de 120 países diferentes, mas unidas em um mesmo propósito – Glórificar a Deus e fazê-lO conhecido em todas as partes do mundo.
Pensei na forma como Deus levantou quase U$ 5.000.000,00 (cinco milhões de dólares) na Coréia para cobrir todas as nossas despesas com hospedagem e alimentação para que eles pudessem nos receber. Pensei nos milhares de milagres que ocorreram ao mesmo tempo para que estudantes e obreiros do mundo inteiro pudessem pagar suas passagens até lá. Senti-me bem pequeno diante dos propósitos de Deus e convenci-me de que dias de avivamento estão se aproximando.
Em contrapartida a isso, lembrei de uma uma frase que li recentemente e que me marcou, acho que é do C.S. Lews: “Se tão somente 30% dos cristão vivessem o verdadeiro cristianismo, o mundo inteiro já teria sido alcançado nos dias de hoje”. Sei que no corre-corre da nossa vida, é comum esquecermos de para que o Senhor tem nos chamado… pensei na minha igreja e em dezenas de igrejas que conheço e meu coração ficou apertado por lembrar também que a grande maioria dos cristãos não está vivendo o verdadeiro cristianismo hoje. O cristianismo que nos move sacrificialmente em amor por Deus para alcançar a todos com o mesmo amor que nos alcançou, aquele que entende que não existe salvação em nenhum outro nome debaixo do céu (At 4.12) e que compreende que as pessoas têm um destino eterno indiferente de estarem ou não andando com Deus. O tipo de cristianismo que nos faz querer dizer em alto e bom som todo o tempo: “Deus, EU QUERO FAZER PARTE!”
É fato notório que um grande número de cristãos brasileiros está cada vez mais apegado a essa vida e que muitos vivem como quem crê que tudo termina aqui. Passam anos de suas vidas preparando-se para ocupar posições de destaque em seus empregos e construir patrimônios “sólidos”, que serão deixados para as próximas gerações. “Se tão somente puder constuir meu próprio negócio”, “Se tão somente puder realizar aquelas viagens”, etc…
Lembrar das “pessoas não alcançadas” é quase um evento anual, dentro de uma agenda do ministério de missões, se é que ainda se fala sobre isso em algumas igrejas, onde choramos, oramos, fazemos uma oferta e continuamos a viver como antes, como se essas pessoas não fossem mais “tão não alcançadas”. Na verdade, investir em missões não é mais algo tão comum para muitos grupos de cristãos e está aproximando-se o dia em que ter um missionário na família será motivo de vergonha para algumas pessoas.
As milhares de pessoas que mergulham na eternidade diariamente (quase todas longe do nosso Senhor Jesus) transformaram-se em estatísticas que são relembradas uma vez ao ano em nossos cultos missionários antes da coleta especial e nem tocam mais tão profundamente, são tão previsíveis… sim, porque após a oferta os cristãos continuam a viver como se esse fato fosse
apenas uma estatística.
Enquanto pensava sobre isso, algumas frases do apóstolo Paulo confrontavam essa realidade em minha mente: “Todavia não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se TÃO SOMENTE PUDER TERMINAR A CORRIDA E COMPLETAR O MINISTÉRIO QUE O SENHOR JESUS ME CONFIOU” At 20.24; “Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo e ser encontrado nele.” Fp 3.8; “Porque embora livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o maior número possível de pessoas” I Co 9.19. E a certeza de que talvez se tão somente 30% dos cristãos vivessem isso teríamos uma outra história me levou a chorar pelo nosso país.
Chorei e orei para que essa onda de avivamento que estamos sentindo aproximar-se não passe sobre nossas cabeças, mas que encontre um solo preparado em nosso meio para descer e gerar um grande Movimento Espiritual. Oro por uma grande mudança de vida e verdadeira conversão de muitos cristãos. Temos recursos financeiros suficientes em nossas igrejas para enviar missionários até os confins da terra, temos pessoas dispostas a obedecer o chamado de Deus e ir, só não temos ainda a mesma visão de corpo, a mesma perspectiva de eternidade e o mesmo nível de compromisso com Deus que entendemos no Campus Mission 2007.
Creio, sinceramente, que dias de despertamento estão começando, sei que cristãos fiéis e dedicados já estão comprometendo-se com a obra salvadora de Cristo e isso me dá ânimo para continuar. Creio também que um tornado está em formação e nós não podemos ficar fora dele.
Não sei ao certo como podemos fazer mais e qual a nossa parte nesse processo. Mas, de uma coisa tenho certeza, pode não ser nada fácil, mas eu continuo querendo fazer parte… mais do que nunca!
Por: Cleiton Fiuza