Escolhendo boas pessoas e mantendo relacionamentos saudáveis
Publicado por elouniversitario em Julho 22, 2008
Depois de 20 anos na profissão de ajudar pessoas, acabei por entender uma coisa: nós mesmos causamos a maior parte da dor que sentimos por causa das pessoas que escolhemos. Em todo o tipo de questões clínicas com as quais os psicologistas lidam, relacionamentos estão ligados de alguma maneira com o quadro geral das pessoas que estão passando por dificuldades. Considere estas perguntas:
Você está experimentando os mesmos problemas ou sentimentos que você experimentou em um relacionamento anterior?
Você descobre que você continuamente escolhe as pessoas por quem se apaixonar ou se torna amigo íntimo de alguém que te magoou de alguma maneira?
Você se pega perguntado se existem alguém “bom” por aí?
Você passa freqüentemente por períodos de tumulto emocional como resultado de escolher alguém que não era tão bom pra você?
“Como eu me meti nessa?” é uma pergunta que você se faz freqüentemente?
Muitas pessoas podem se identificar com esses sentimentos. Seus relacionamentos têm deixado a desejar de algum modo, levando-as a se perguntarem por que estão na situação em que estão. Imaginam o que estão fazendo de errado, por que “merecem” ser tratados de tal maneira e se alguma vez poderá ser diferente.
A verdade é que escolhas pobres de relacionamento trazem em si o problema, mas podem ser mudadas com um pouco de trabalho. A maioria das pessoas se encontra em relacionamentos ruins um após o outro e não param para analisar porque estão fazendo essas escolhas. Elas simplesmente partem do princípio que não têm sorte, muitas vezes não considerando que deve haver uma maneira melhor de fazer escolhas sobre relacionamentos.
Antes de falarmos sobre escolha, porém, vamos examinar as escolhas dolorosas que as pessoas fazem. O que torna uma escolha pobre? Em uma palavra—caráter. A qualidade da composição física e moral de alguém determina se serão bons ou não em um relacionamento. Somos atraídos pelo exterior de alguém: sua aparência, seu status, sua inteligência, suas conquistas. Mas, experimentamos o que vai no interior deste alguém: seu caráter. A composição física e moral do caráter de uma pessoa determina como ela se sairá em um relacionamento. Se elas não têm a habilidade de fazer certas coisas que exigem um bom caráter, então não serão capazes de se saírem bem em um relacionamento.
Ao trabalhar com muitas pessoas por anos, descobri que problemas de relacionamento acontecem quando um ou os dois participantes são incapazes de suprir as exigências reais de um relacionamento. Geralmente isto acontece porque estas pessoas são emocionalmente subdesenvolvidas em certas áreas. E o resultado é muita dor causada por necessidades básicas não supridas.
No resto deste artigo, vamos examinar quatro princípios que vão ajudar você a escolher a pessoa certa, a ser a pessoa certa e a desenvolver relacionamentos saudáveis.
Conexão
Um relacionamento tem a ver primeiro e antes de tudo com conexão emocional. Nossas ligações com outros são chamadas de “laços” e são criadas e mantidas pela habilidade de alguém compartilhar e conectar ao nível do coração, com todas as vulnerabilidades emocionais e sentimentos frágeis. Muitas pessoas podem se relacionar em um nível superficial e social. Mas em um relacionamento duradouro de qualquer tipo, se torna progressivamente importante para você ser capaz de conectar seu coração com o de alguém e cuidar para que seu coração esteja seguro. Ao avaliar as pessoas para as quais você irá abrir o seu coração, seja cuidadoso em ver se elas podem responder com responsabilidade a sua vulnerabilidade e sentimentos e também se podem abrir o coração delas com você. É assim que os laços são construídos e mantidos. Considere as perguntas:
Estas pessoas podem ouvir e se identificar com seus sentimentos e vulnerabilidades?
Elas são capazes de compartilhar no nível emocional?
Depois de gastar um tempo com elas você sai dali sentindo que se conectou, ou você se sente sozinho no relacionamento?
Existe um alto nível de certeza de que seu laço estará protegido?
Limites
Outro aspecto importante de um relacionamento é que cada um respeite os limites pessoais do outro. Um limite é uma linha de propriedade que define onde você termina e onde o outro alguém começa. Bons relacionamentos têm um alto grau de respeito por cada pessoa respeitar a outra “pessoa”.
Uma maneira de perceber se alguém respeita os seus limites é saber se você se sente livre para estar no controle de sua própria pessoa, ou se você se sente invadido ou controlado pela outra pessoa. Uma pessoa saudável vai respeitar os seus desejos de estar no controle de si mesmo e sobre o que você quer fazer e que não quer. Elas se tornam irracionais quando você se recusa a fazer alguma coisa? Elas permitem que você se afaste delas e tenha seu próprio espaço? Elas vêem você como uma extensão delas mesmas, de alguma maneira, e sentem que têm o direito de controlar você e de fazer o que quiserem com você? Considere as seguintes perguntas:
Elas te pressionam a estar passando muito do seu tempo com elas ou você pode dizer “não” aos seus desejos e ainda assim ser aceito?
Estas pessoas te pressionam em alguma área, como na área física, num relacionamento de namoro?
Elas podem ouvir e respeitar o seu “não” quando te pressionam a ir além do que você quer ir?
Estas pessoas te dão liberdade de ter opiniões diferentes, valores e desejos do que elas têm? Ou você sente que de alguma maneira você deve ser um “clone” do que elas querem que você seja?
Você sente que suas escolhas são respeitadas? Ou você acha que existe somente uma “vontade própria” no relacionamento? Ou é da maneira que o outro quer ou nada feito?
Perfeccionismo
Outra área importante é como as imperfeições de cada parceiro são lidadas no relacionamento. Neste mundo, nós não seremos perfeitos, ou encontraremos alguém perfeito para amar. Como cada pessoa irá lidar com as imperfeições em um relacionamento?
Você já esteve em um relacionamento em que alguém se pressiona para ser “ideal”? O que sobra deste tipo de relacionamento pode ser na melhor das hipóteses difícil, e na pior das hipóteses desastroso. Você sente que não está OK ser você mesmo, ser real com suas falhas e imperfeições, e cometer erros?
Em relacionamentos de namoro, perfeccionismo pode ser demonstrado na pressão de parecer ou agir de uma certa maneira para que o seu parceiro fique feliz com você. Nas amizades, pode ser a pressão de não cometer erros ou de não decepcioná-los. Nos relacionamentos entre pais e filhos, pode ser querer ser o filho “troféu”, fazendo os pais felizes ao viverem expectativas irreais.
Pense sobre estas perguntas:
Está OK com o seu parceiro se você é “menos do que ideal?” O que acontece quando você ganha alguns quilinhos ou não tem a aparência que seu parceiro quer que você tenha? Ou se você não tem tanto sucesso quanto um parceiro “ideal” deveria ter?
Quando você comete um erro, você sente liberdade de confessar que você falhou?
Você se sente livre para ser totalmente você mesmo com seu parceiro? Você pode revelar as suas falhas e partes de você mesmo que não são tão boas?
Existem “pressões de imagens” no relacionamento? Você se sente pressionado a aparentar algo que você não é, e simplesmente gostaria de ser você mesmo?
Igualdade
A última qualidade que iremos ver é a habilidade de pessoas queridas verem você como um igual no relacionamento. Relacionamentos difíceis freqüentemente têm uma dinâmica chamada “pra cima/pra baixo”. Um dos parceiros sempre tem que ser o chefe no relacionamento, e se auto-designa “pai ou mãe”. Eles se relacionam com o outro antes de tudo nos termos de “deve”, dizendo a eles o que devem ou não fazer. Isso funciona bem para uma criança e seu pai ou mãe, mas nas amizades entre adultos, namoros e casamentos, fracassa se um dos parceiros não é visto como digno de respeito.
Resumindo, isto tem a ver com ser dominado. Relacionamentos dominados são muito imaturos, e levam a uma atrofia do crescimento emocional em ambas as pessoas. Esses relacionamentos podem ser confortáveis, mas são geralmente miseráveis e extremamente limitados. E estar sobre o controle de outra pessoa não leva à intimidade. Quando avaliando se seu relacionamento tem problemas de igualdade, considere estas perguntas:
Você sente que a outra pessoa sempre tem que estar em uma posição superior?
Você freqüentemente se sente como uma criança ao redor dessas pessoas?
Você se sente dominado ou humilhado, mesmo que de uma maneira gentil?
Existe uma característica julgadora no seu relacionamento?
Estas características ajudam os relacionamentos a durarem e a crescerem. Não importa quão atraente alguém é, ou quanto gostamos das pessoas, se elas têm os problemas de caráter que acabamos de ver, você está procurando por confusão. Ao escolher seu próximo relacionamento significativo, considere essas características pessoais tão cuidadosamente enquanto você olha para qualquer outra coisa que te atrai a pessoa.
O Problema
Seria tão bom identificar estas questões e ficar bem longe destas pessoas problemas, mas nenhuns de nós têm certeza de como uma pessoa irá reagir em certas situações. Hoje elas podem parecer como uma pessoa que tem um saudável respeito pelos limites, mas daqui a seis meses podem estar tomando todo o seu tempo e atenção. Nenhuns de nós podem avaliar o outro perfeitamente. Mas podemos nos aperfeiçoar nisto!
A maneira pela qual nós aprendemos a encontrar pessoas com as quais podemos ter um relacionamento saudável não está baseada totalmente no conhecimento. A maior parte da solução tem a ver com o nosso próprio caráter. Para escolher pessoas de bom caráter, temos que primeiro nos tornar uma pessoa de caráter saudável. Para encontrar alguém com quem podemos conectar, temos que nos conectar. Para nos relacionarmos com alguém com bons limites, temos que ter os nossos próprios bons limites. Para estar com alguém que é real, temos que deixar pra trás nosso próprio perfeccionismo.
O processo no qual fazemos os ajustes necessários no nosso caráter é chamado de crescimento espiritual. Enquanto crescemos interiormente para nos transformarmos na pessoa para a qual fomos criados pra ser, descobrimos que temos um caráter melhor e melhor, e como resultado, fazemos melhores escolhas nos relacionamentos significativos. Isto requer trabalho nas nossas vidas espirituais e no nosso modo de ser, e isso não é um processo fácil. Mas para aqueles que aceitaram este desafio, descobriram que esse trabalho vale a pena o esforço.
Então, mãos a obra. Encontre uma boa comunidade onde você possa aprender como crescer na sua habilidade de se conectar, esteja livre do controle dos outros, seja real e seja igual. Desenvolva sua vida espiritual nesta comunidade enquanto você aprende a se relacionar com Deus e com os outros de uma maneira profunda. As recompensas para toda a vida irão surpreender você.
Adaptado do livro Mudanças que Curam (“Changes That Heal”) por Dr.Henry Cloud, Publicações Zondervan, e do livro Relacionamentos Saudáveis (“Safe People”) por Dr.Henry Cloud e Dr.John Townsend, Editora Vida. Copyright © 1996, Henry Cloud, Ph.D.
Mônica disse
o aprendizado dura toda a vida mas obtive conhecimento necessário para viver a vida de uma forma original e compreensiva aperfeicionando minhas atitudes com conhecimentos ]
espirituais
uilre prata vinhorte disse
querro conhecer pessoas diferente e de outros lugares