No dia que antecedeu a Sua crucificação, durante o julgamento mais famoso da história, Jesus foi identificado como um “Rei de prostitutas e mendigos” por um de Seus inquisidores. Com esta afirmação, os poderosos da época tentaram diminuir Aquele que estava atraindo as multidões e tornando-se conhecido em todas as cidades da região como o Messias prometido ao povo judeu.
Relembrando um pouco mais os fatos que precederam aquele dia, encontramos este mesmo Jesus sendo recebido e aclamado ao entrar em Jerusalém, sendo tratado com honra e respeito pela maioria das pessoas que habitavam na cidade mais importante para os Judeus. Podemos concluir, então, que este “Rei” não estava atraindo apenas prostitutas e mendigos. Ele não era aclamado por oferecer-lhes dinheiro ou comida, mas por ser capaz de amá-los como ninguém havia feito antes, algo era diferente nele e em Suas palavras. Sendo amado pelos rejeitados, Ele foi odiado, invejado, perseguido, mal interpretado e erroneamente julgado por aqueles que se consideravam detentores da verdade absoluta.
Não disse nada em sua defesa. O Filho de Deus aceitou, com humildade, a zombaria, o descaso e a incredulidade daqueles que esperavam pela promessa que Ele cumprindo. Desde o princípio, Ele sabia qual o motivo que O havia trazido a este mundo e qual era o Seu verdadeiro Reino.
Mais de 2000 anos se passaram, e, ainda hoje, multidões são atraídas até Ele. Outros tentam julgar os Seus atos e interpretar suas as Suas reais intenções… Poderia um “Rei” se achegar à classe mais desprezada da nossa sociedade? Será que Ele realmente amava estas pessoas ou só queria uma multidão que O adorasse? E você, como O definiria em nossos dias? Como um “Rei de prostitutas e mendigos”?
Ele me atraiu…
Sempre fui um péssimo jogador de futebol, fato que me incomodava muito na adolescência. Em qualquer jogo de fim de semana, eu era o último a ser selecionado para fazer parte do time e, muitas vezes, ganhava o apelido de “café com leite”, significando que não faria diferença naquela partida.
Por outro lado, eu era um aluno muito aplicado. Desde os primeiros anos de escola, estive entre os primeiros alunos da turma. Sempre que chegava a época das provas, meu nome era logo lembrado como referencial de alguém que poderia ensinar matemática ou português aos que não prestavam muita atenção a aula (coincidentemente, eles eram os melhores jogadores de futebol).
Por isso, cresci pensando que as pessoas só me aceitariam como amigo se eu tivesse algo a oferecer a elas. Achava que este era o sistema, era assim que funcionava e eu tinha que me adaptar. Sempre vi como a minha bicicleta era solicitada nos intervalos e como os jogos eletrônicos atraiam meus amigos para a casa de alguém que os possuía.
Então, “dar para receber em troca” tornou-se minha filosofia de vida. Por ter nascido em uma família religiosa, cresci ouvindo a respeito de Jesus, de Sua morte em uma cruz e de um livro polêmico chamado Bíblia. Freqüentava reuniões cristãs sempre que podia. Gostava das músicas que ouvia na igreja, elas tinham uma melodia atraente para mim. Mesmo assim, Aquele Deus cristão sempre pareceu um tanto quanto longe da minha vida.
Eu tinha a Sua imagem bem clara em minha mente, uma que me apresentaram quando ainda era criança: a de um homem cheio de feridas e marcas de sofrimento, pendurado em uma cruz, com uma coroa de espinhos na cabeça e um olhar tristonho. Na minha mente, Ele estava pedindo algo a todas aquelas pessoas sentadas à Sua frente na igreja, implorando para que acreditassem nEle e O amassem.
Às vezes, ficava frustrado por ler a Bíblia e não conseguir entender nada. Para mim, ela era como outros livros que eu tinha e que também narravam histórias de heróis e de grandes prodígios. Achava que só as pessoas “especiais” poderiam compreendê-la totalmente.
Assim cheguei aos quatorze anos, com muitos amigos, algumas decepções, muitas concepções e uma vida inteira pela frente. Julgando-me o detentor da verdade, conhecedor de Deus e independente dEle, me deparei com Jesus, o “Rei de prostitutas e mendigos”, e percebi o quanto estava vazio da Sua presença.
No começo de 1994, fui convidado para participar de um retiro espiritual cristão. Eu não me sentia nem um pouco motivado a participar de programações como esta, mas gostava de acampar em fazendas e isto me motivou a ir. Lá, comecei a observar o comportamento dos cristãos e a notar que existia algo diferente, eles simplesmente demonstravam um amor mútuo e altruísta, que não exigia nada em troca. O que era totalmente contrário a minha forma de entender amizade e relacionamentos.
Perguntei a um amigo próximo como eu poderia experimentar aquilo que eles experimentavam e ele me disse que Deus era a única diferença, que eu precisava ter um bom relacionamento com Ele para poder ter um bom relacionamento com outros. Retruquei na mesma hora dizendo que esta não poderia ser a diferença porque eu conhecia a Deus. Foi aí que ele me fez um desafio, “feche os olhos e procure onde Deus está em sua vida”, fiz isto por uns cinco minutos e descobri que Ele não estava em nenhum lugar.
Ele me mostrou um texto em Apocalipse 3:20 que dizia: “Eis que estou a porta e bato, se alguém ouvir a voz e abrir a porta, eu entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo”. Então entendi que Deus esteve todo este tempo esperando pelo meu convite e eu nunca havia aberto a porta da minha vida para Ele. Fiz isto, assim que compreendi o motivo pelo qual sentia tanto vazio.
O amor com o qual Ele amou todas a pessoas, demonstrado e provado em cada atitude Sua, me atraiu aos Seus pés. Não pedindo nada em troca, não exigindo que eu fosse alguém “especial” para Ele ou para os outros, simplesmente me amando, antes mesmo que eu O amasse.
Aquele Deus, que conheci derrotado em uma cruz, com olhar de súplica e desespero, a quem adorei por toda a minha infância sem conhecê-lO pessoalmente, mostrou-me quem Ele é de fato, um Salvador vivo e um “Rei” onipotente. Muita coisa aconteceu desde o dia em que Ele me encontrou, em alguns momentos andei lentamente, em outros, acelerei o passo, mas em nenhum deles pude duvidar da presença constante de Jesus em minha vida.
Este “Rei de prostitutas e mendigos” está disposto a fazer uma revolução espiritual em sua vida. Se você ainda não O encontrou, quero dizer que Ele está disposto a te encontrar no meio da tua jornada e mostrar o quanto te ama. A história dEle não acabou naquela cruz, nem nos primórdios da igreja cristã, ela continua até hoje. No entanto, a tua história pode nem ter começado ainda.
Por: Cleiton Fiuza
Crédito de foto: galeria do filme “the passion“